sexta-feira, 18 de novembro de 2011

ANDANÇAS

Walterbrios

Também ando com a cabeça

Digo, com a mente em todo lugar,

Sem mala como uma bala,

É necessário idéias

Poeira universal

Meu caminho é esse...

Nada mais fala nem cala

Eu ando sem andar mesmo

E nunca estou no ermo

Sinto aromas e vejo brumas

Perfumes de lugares

Presságios de alguma fonte

Beijos em algum poema

Poeira estelar

Afago o que minhas mãos não tocaram

E o que não me ensinaram

Meu tato tenta reconhecer

O que um dia queria aprender

Vaguear meu corpo quis

Hoje a cabeça é quem diz

Ó minh’alma amanheça

Minha companheira calma!

Adormeça a orgia das palavras

Naqueles que olham e nada vêem

Porque eu sou

Uma poeira

Do poema

Universal

SSABA 28/09/2011

Inspirado no poema Andanças de Kathleen Lessa

ANJO DO BEM

Walterbrios

Quebro a barreira do som

Pois anjo eu sou

À lascívia e crueldade

Eu dou amor

Busco quem no abismo afundou

Vítimas da serpente sagaz

Do veneno destilado

Profunda crueldade

Eu não olho pra traz

E vejo através do espelho

A falsa paz do imundo

Grito gélido do medo

Assim faz e assim fez

Eu sou um guardião do rei

Velo a consciência e a sensatez

Não preciso ouvir nada

Ao esganiço da tortura

Desembainho a minha espada

Da chama pura

E não haverá nada que fleche

Que transpasse

A quarta dimensão

Ninguém pense ser dono da área

Central da imensidão.

Os mutilados da droga

Dos dragões do mal

Serão purificados

Pela luz pela água e pelo sal

E tenho dito

De um só golpe

Será destruído

Aquele que der

O primeiro bote

Fechar-se-ão

As portas do hospício

Do imundo gargalhar.

Jamais se ouvirá

Um só resquício.

A TAPERA DA ESPERA

Walterbrios

É... Vida esquisita esta!

Quem dera! Darão não dão.

Rico no arranha céu,

Pobre apanha lá no chão

Arranha e apanha...

O céu acompanha, ás vezes inunda a área,

Corpo sem segurança esgoto e desesperança,

A cidade estraçalha e a ambulância falha,

Criança tem esperança na televisão,

Fantasia e jargão antes do apagão.

Bem amado escorraçado povo depois dos votos,

Devotos alienados, míseros multiplicados,

Jogados à própria morte,

Sorte esta quando implica a fome,

Conta de quem vive, põe na conta e sobrevive.

Um dia é só um dia não mais que um dia,

Uma fantasia!

Lá vem a noite escura,

A cama dura e a agonia,

O pó e a policia,

Bala perdida e correria.

Tudo igual, todo dia...

Vai meu filhinho e faz um avião,

Tua mãe ta na zona atrás de um gavião.

Rói, rói, rói... Rói a barriginha

Vai comer pirão de água suja e farinha.

Foi, foi, foi... Foi toda mutreta

Pegaram os meninos e os fizeram de muleta...

SSABA 27/09/2011

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

FACHO SEM NORMA
Walterbrios


A vida às vezes se transforma
Quase no que eu acho,
Bem no meu facho sem norma,
Meu sono nunca está abaixo;

Sintetiza um infinito caminho
Tecido por mim, ou alguém do destino,
Quando me perguntam se parti pro espaço,
Não vi estrelas e não sei o que faço.

Com rolos de sonhos a vida eu teço,
Mas, o que muda em mim nas manhãs e tardes
Que fujo dos objetos e projetos que encabeço,
Vão me dizer que me alienei com meus alardes

Tudo bem! Se eu sou maluco não sou burro,
Porque estou voando sem asa nem nave,
Não venha me dizer, meu velho você está caturro!
É a escuridão que não se abre, mas nada de grave.
O VENTO E O TEMPO


Grãos de rochas com o tempo
Viram montanhas de pó,
Grão de rochas ao relento
Com paciência de diamante
Brilham ao sol.
O pó voa para bem longe de si,
Nuvens de areia distante,
Dunas que vão sumir
Devagar para longe daqui,

O vento nada sabe da força do outro,
Outro muro de pausa e paciência,
O tempo não pára pelo muro de ouro,
Tempo de pressa e consciência,
O vento leva devagar minha essência.
Resta a certeza do vento em mim,
Sem paciência do meu sangue carmim.

Na profunda imensidão do universo
Sou um grão o pó e o reverso,
Meus versos nas dunas da areia,
Redemoinho circulando na veia.

Hoje velo as canções deste vento,
Que traduz emoções do momento.
E o tempo não pára,
O vento...
O vento me leva para uma poética rara.
AMARAM TANTO

Walterbrios

Eles amaram tanto
Que deixaram a consciência
Esquecida num canto,
Mas pediram paciência,

Pro corpo só a ciência,
Pro coração o encanto,
Atração só com vivência,
Com carinho sem espanto,

Eles amaram, entretanto
Revelou-se a aparência,
Amor travestido em pranto,
Ilusão e indecência.

Amaram santa e/ou santo
Sem divina ingerência,
Que debaixo de um manto
Só faziam imprudência.
SAUDADE NÃO TEM JEITO

Walterbrios

Tem coisas que não aceito
Sei que tudo passa,
Mas saudade não tem jeito,
Tudo fica sem graça
Com essa dor no peito,

Careço de muita raça!

Enraizou virou arvore,
Criou ninho esse amor.
Como pedes que não chore,
Se eu sinto tão grande dor?

Vôo para mim mesmo
Como se em mim fosses o centro
E não o meu abismo,
Tudo o que tenho por dentro,

Um lírio que não tece,
Mas guarda tanta beleza
Enquanto cresce
Sob o orvalho da natureza.

Em minhas águas silenciosas
Choro sem tino,
Em manhãs ociosas,
Como se fosse um menino.