RAÇA
Walterbrios
A raça! O que tem de novo?
Não cria asas a seu favor
Festeja a própria insanidade
Aqui senhor, bem na praça,
Ou é o povo que finge graça,
Saúde, quem lhes deu?
Quem lhes rouba as costelas
Foge correndo pelas vielas
Fogo ardendo em pleno breu,
Na tontura na tremedeira
Na bocada da corrupção
Que corta a faca sua carne
Já nem sofre por intenção
A mais uma hora impoluta
Envenenado não escuta
Mais uns gritos de terror.
Vê senhor, todo esse agito,
Somos nós soltando gritos,
Não agüentamos tanto estertor!
Que palavra Vós escondestes
Na mais plena imensidão
Dos estertores engano e trava,
Rompendo em meio a multidão,
Raça nova, mas insana,
Na cidade se esparrama
Um mundo sem heróis,
Cidade de sangue e pedra,
Que liberdade não medra,
Virá esta dos arrebóis?
Dizei, quando a voz dos ingratos
Acatou uma honesta lei?
Que uma segura pronúncia
Se fizesse frente a um rei?
Fala abatida terra,
Não sou um centurião,
Fala, de que são feitos
Os tesouros dos teus peitos
De terror e maldição?
Sei que na sombra te tremes
Como nação tu te extingues,
Lares que se parecem ringues,
Mas o povo nem o pulso sentem,
Contorcem-se, mas fingem e mentem.
Descansa um pouco mãe
Esse coração nosso,
Segure, pois, esse filho vosso,
Que o nosso coração
Não é um punhal erguido,
Somos incompreendidos,
Somos mal tolerados
E sempre mal ensinados.
Pois crime legal, quem faz,
E se redime com igual paz?
Haverá luz no futuro,
Ou pedras no escuro?
A fé que se tem é na alvorada,
Descalço no chão
Nosso pé na estrada,
Nosso amor pregado na cruz,
Verdade a quem faz jus.
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